Passar para o Conteúdo Principal Top
Ambiente Maia
Logótipo da Câmara Municipal de Maia

Sorria, está na Maia!

Sobre a Biodiversidade da Maia…

A Área Metropolitana do Porto, e nomeadamente, a zona da Maia apresenta espaços naturais onde a riqueza faunística e florística contribuem significativamente para a valorização do seu património natural.

Sob uma perspectiva geral, o coberto vegetal do Concelho é constituído pela conjugação de três unidades:

  • Os espaços de mata/ floresta, com dominância dos povoamentos de Pinheiro Bravo e Eucalipto e a ocorrência pontual de Choupos e de outras espécies folhosas;
  • As galerias ripícolas dos principais cursos de água;
  • Os campos agrícolas, maioritariamente compartimentados por estruturas de suporte à vinha.

A existência destas unidades baseia-se em diversos aspectos, nomeadamente hidro-geológicos e culturais. As condições hidro-geológicas locais têm permitido, ao longo dos séculos, a permanência de manchas significativas de solos para a exploração agrícola e silvo-pastoril. O relevo beneficia exposições a Sul e a Poente. Grande parte do Concelho desenvolve-se com baixos declives, sobretudo a Poente, enquanto que a nascente aparecem zonas com mais inclinação e com maior interesse a nível paisagístico.

A rede hidrológica também é especialmente relevante neste Concelho. Ela é dominada pelo Rio Leça, que intersecta a área do Município a Sul e corre no sentido Este-Oeste, e ainda pelas ribeiras do Arquinho e Leandro, com sentido dominante Norte-Sul.

Relativamente aos espaços florestais da Maia, estes caracterizam-se por povoamentos de Pinheiro Bravo e Eucalipto, distribuídos por praticamente todo o Concelho, sendo um floresta predominantemente de produção acompanhada por uma função relevante de estrutura em muitas situações.

Encontram-se igualmente no terreno alguns povoamentos dispersos de Choupos, ocupando essencialmente as zonas mais baixas das freguesias de Gueifães e Milheirós, e outras Folhosas diversas, embora sem grande expressão no território. 

As galerias ripícolas dos principais cursos de água (Rio Leça e Ribeira do Arquinho) representam importantes espaços para o equilíbrio dos ecossistemas. Têm funções de regularização do regime hídrico (particular papel na quebra de violência nas cheias), de defesa das várzeas, interesse económico na produção de madeira, são barreiras contra-fogo (dada a sua difícil combustão), tão importantes nos espaços agro-florestais. Também servem de nicho à fauna silvestre, contribuindo para o aumento da biodiversidade e fornecem indicações acerca da poluição, da velocidade de escoamento, entre outros.

Apesar da baixa qualidade biológica da água e de haverem ainda margens degradadas, os corredores ripícolas constituem um suporte importante de estrutura ecológica.

Os corredores ripícolas cobrem um total de 8,7 Km do Concelho, albergando várias espécies vegetais arbóreas e sub-arbóreas. Entre os estratos arbóreos, contam-se os Choupos, os Freixos e os Amieiros, encontrando-se por vezes Carvalhos. Ao nível do estrato sub-arbóreo existem Salgueiros, Vimeiros e as Borrazeiras.

Existem ainda bosques palustres (zonas periodicamente inundadas) dispersos pelas principais áreas agrícolas com vegetação ripícola (zonas de cursos de água) e palustre.

Quanto à exploração agrícola, a principal espécie cultivada no território da Maia é o Milho, cultura extremamente produtiva que ocupa quase todas as áreas disponíveis para a prática agrícola. Encontra-se nas encostas em socalcos, no fundo dos vales e nas margens dos cursos de água.

Os campos agrícolas encontram-se compartimentados por estruturas de suporte de cultivo da vinha, funcionando simultaneamente como estruturas de protecção e de cortinas de abrigo.

Associadas a estas unidades de produção está um património construído riquíssimo que se multiplica em celeiros, espigueiros, muros de compartimentação, casas rurais, etc., situados essencialmente nas freguesias de Silva Escura e Folgosa.

Existem também aglomerações de uma vegetação de bordadura de campos agrícolas que se circunscreve apenas a um total de 17,7 Km.

O conhecimentos sobre a configuração dos núcleos de vegetação dos espaços Mata/Floresta e dos corredores ripícolas poderá facilitar a escolha de uma estratégia de actuação para proteger e expandir estas zonas naturais, quer pelas espécies constituintes com vegetação autóctone ou própria da região(Salgueiros, Amieiros, Bordo, Carvalhos e Castanheiros), quer pelo seu papel ecológico e paisagístico incalculável

A vegetação natural primitiva da Maia

A vegetação primitiva da Área Metropolitana do Porto encontra-se actualmente confinada às margens de alguns cursos de água e a “bolsas” residuais que ainda representam os bosques típicos do território. Estes núcleos primitivos assumem uma enorme relevância ecológica. Assim, destacam-se os bosques palustres, dispersos pelas principais áreas agrícolas, mas assumindo particular relevância em alguns municípios da área metropolitana, nomeadamente, da Maia. Não obstante, de um modo geral, a cobertura vegetal deste Concelho apresenta uma alteração profunda relativamente à estrutura que se presume ter existido anteriormente.

À excepção de ambientes litorais e rupestres, todos os solos que hoje compõem a Área Metropolitana do Porto estariam no passado ocupados por diversos tipos de vegetação florestal em que se incluiriam bosques dominados por Carvalhos, Sobreiros, Salgueiros e/ou Amieiros. Destaca-se o Carvalho Alvarinho (Quercus robur).

Em áreas com pouco declive, os solos submetidos a encharcamento sazonal seriam colonizados por bosques palustres dominados pelo Amieiro (Alrus glutinosa) e pelo Salgueiro-negro (Salix atrocinerea). Estes amiais-salgueirais (Carici lusitanicae – Alnetum glutinosae) que tipicamente albergam espécies como a Lírio-dos-pântanos (Iris pseudacorus) e a Salgueirinha (Lythrum salicaria); constituiriam bosques em topografias suaves, tão frequentes nos concelhos a norte da Área Metropolitana do Porto, como é o caso da Maia.

Para mais informação sobre os espaços naturais da Área Metropolitana do Porto, a sua riqueza em habitats e espécies de fauna e flora (incluindo o Concelho da Maia), consulte o Retrato da Biodiversidade da Área Metropolitana do Porto, elaborado pelo Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável (CRE_PORTO) a propósito do Ano Internacional da Biodiversidade 2010.