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Aspetos fundamentais

Introdução 

A Terra está a aquecer a um ritmo inédito e muito superior ao dos últimos 10 mil anos. As alterações climáticas são um dos mais recorrentes e preocupantes assuntos da atualidade, com consequências profundas e transversais à sociedade a vários níveis:

  • Económico (destruição de bens e infraestruturas);
  • Social (problemas de saúde, fome e migrações);
  • Ambiental (degradação de ecossistemas e perda de biodiversidade).

O clima resulta da interação entre a atmosfera, a superfície terrestre e os oceanos. Não sendo um assunto linear, tende a gerar alguma controvérsia e por vezes ceticismo. É verdade que a Terra já passou por períodos com temperaturas muito elevadas, que permitiram o crescimento de palmeiras junto aos polos, assim como períodos muito frios, onde as atuais regiões de Chicago e Berlim estiveram cobertas por lençóis de gelo com 1 Km de espessura. Por outro lado, a variação do clima, com base apenas em causas naturais, ocorria a um ritmo mais lento do que aquele a que se assiste hoje em dia. E é aqui que começa o atual problema das alterações climáticas. As alterações climáticas induzidas pelo Homem.

O fim da última idade do gelo, há cerca de 20 mil anos, marcou o início de um novo período interglaciar, onde a civilização humana começou a prosperar. Nesta época, a temperatura média global da atmosfera à superfície era 5 a 7˚C menor do que a atual e o nível médio do mar estava cerca de 100 – 120 metros abaixo do que se verifica na atualidade. As profundas alterações climáticas que se registaram no passado ocorreram devido a causas naturais, como pequenas variações na órbita terrestre, que modificaram a periodicidade e a quantidade de luz solar que alcançava a Terra. Porém, no presente, a tendência de aquecimento está inquestionavelmente associada ao aumento das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) que são, em grande medida, resultado da atividade humana.


Os GEE, nomeadamente o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso, começaram a aumentar drasticamente após a revolução industrial, impulsionados pelo crescimento da economia e da população. Estes gases, que se encontram naturalmente na atmosfera, são responsáveis por manter o equilíbrio térmico da Terra, pois, evitam que o calor se dissipe para o espaço. Mas, quando a sua concentração começa a ser excessiva, provocam desequilíbrios e fazem com que o planeta comece a aquecer. Por outras palavras, os GEE atuam como uma manta na nossa atmosfera e, quanto mais densa for a manta, mais quente fica o planeta.

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Fonte: Climate Change 2014: Synthesis Report. Contribuição do grupo de trabalho I, II, e III para o Quinto Relatório de Avaliação do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) : Genebra, Suiça, 2014; p. 151.

 

O dióxido de carbono é o principal GEE produzido pela atividade humana, sendo responsável por 63% do aquecimento mundial antropogénico. As emissões de dióxido de carbono estão associadas a processos de combustão, à queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural), à produção de eletricidade, aos transportes, à indústria, às habitações, à desflorestação, entre outros. 

Nivel de Dióxido de Carbono (partes por milhão)| Fonte: https://climate.nasa.gov

Fonte: https://climate.nasa.gov

 

A concentração média anual de dióxido de carbono está perto das 400 ppm (partes por milhão), registando-se os níveis mais elevados dos últimos 800 mil anos. Só no último século, a sua concentração na atmosfera aumentou 40%.

 

Causas das Alterações Climáticas 

A temperatura média do planeta é regulada pelo equilibrio térmico que depende, entre outros fatores, da delicada composição atmosférica. Qualquer variável capaz de provocar uma mudança na quantidade de energia que é absorvida ou emitida pela Terra, pode dar origem a alterações climáticas.

Existem assim, diferentes fatores que atuam em diferentes escalas temporais e que estão associados aos processos de mudança climática. No entanto, nem todos os fatores que foram responsáveis por grandes alterações climáticas no passado distante, são relevantes para explicar o aquecimento global contemporâneo.

Desta forma, as causas das alterações climáticas podem estar relacionadas com processos naturais e/ou com a atividade humana.

Como causas naturais destacam-se os fatores que são externos ao sistema climático, como as flutuações na atividade solar, as variações da órbita da Terra, a deriva dos continentes, a atividade vulcânica e os corpos celestes como os asteroides.

 

  • Sol – a quantidade de radiação varia ao longo da sua vida.
  • Variações na órbita terrestre em volta do Sol – modificam a periodicidade e a quantidade de luz solar que alcança a Terra.
  • Deriva dos continentes – quando grandes massas de terra estão posicionadas perto dos polos, formam-se grandes mantos de gelo, que estão na origem dos períodos glaciares.
  • Vulcões – os detritos expelidos durante uma erupção podem provocar um arrefecimento do planeta em mais de 1˚C nos anos subsequentes, no entanto, de modo geral, os vulcões acrescentam em média, por ano, 0,1 – 0,3 Gt (Giga tonelada) de carbono à atmosfera, contribuindo para o aquecimento da Terra.
 
As causas antropogénicas estão relacionadas com todas as atividades humanas que levam a alterações da concentração de GEE, como utilização de combustíveis fósseis, desflorestação e  agropecuária.
 
  • Queima de carvão, petróleo ou gás – produz dióxido de carbono e óxido nitroso. O setor energético e da indústria são responsáveis por 87% das emissões de GEE na Europa.
  • Desflorestação – estima-se que contribua para 13% das emissões globais de dióxido de carbono (mais do que as emissões geradas por todos os carros, camiões e aviões juntos).
  • Agricultura – o uso de fertilizantes com azoto provoca a emissão de óxido nitroso. O cultivo de arroz, por exemplo, é responsável por emissões de metano e a queima de resíduos agrícolas é responsável pela emissão de metano e óxido nitroso.
  • Atividade pecuária – as vacas e as ovelhas produzem grandes quantidades de metano durante o processo digestivo que depois são libertados para a atmosfera, a gestão dos efluentes pecuários, por sua vez, além do metano é também responsável pela emissão de óxido nitroso. 
  • Atividade agropecuária - é responsável por 10,1% das emissões de GEE na Europa.