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'O Mundo e Tudo! Filósofos e Outras Máquinas' no Fórum da Maia
“O mundo é tudo! Filósofos e outras máquinas” reúne cinco décadas da obra de António Cerveira Pinto no Fórum da Maia.
Entre pintura, linguagem, filosofia e inteligência artificial, “O mundo é tudo! Filósofos e outras máquinas” apresenta, no Fórum da Maia, a mais abrangente retrospetiva dedicada à obra de António Cerveira Pinto. Embora reúna quase cinco décadas de trabalho, a exposição não se limita a revisitar uma obra consolidada. Os seus núcleos finais apontam para projetos ainda em desenvolvimento, transformando a retrospetiva não num balanço, mas num laboratório de ideias voltado para o futuro.
Com inauguração agendada para 23 de julho, às 19h00, a exposição reúne cerca de uma centena de obras, produzidas entre 1979 e 2026, e revela um percurso artístico que antecipou muitas das questões hoje centrais da cultura contemporânea.
Promovida pela Câmara Municipal da Maia, a exposição integra a programação do Fórum da Maia, reafirmando o compromisso do município com a apresentação de projetos que cruzam criação artística, pensamento crítico e debate sobre os desafios do presente. Com curadoria do próprio artista e texto de apresentação de Bernardo Pinto de Almeida, a exposição propõe uma leitura não cronológica da obra de António Cerveira Pinto. Em vez de seguir uma evolução linear, organiza-se em núcleos temáticos que acompanham uma investigação persistente sobre a relação entre imagem, pensamento e máquinas.
A exposição
O percurso inicia-se com Regresso da pintura?, onde a pintura reaparece como espaço de experimentação crítica da cor e da forma. Seguem-se séries em que linguagem, imagem e pensamento se cruzam, como Frases, que são “imagens proposicionais”, Qualia, Combate entre as metades esquerda e direita do meu cérebro e Rasura, abordando questões ligadas à perceção, à linguagem, à memória e aos processos de construção do sentido. Ao longo da exposição surgem ainda projetos dedicados à democracia, à televisão, às cidades aumentadas, à arquitetura e à inteligência artificial. O percurso culmina com dois projetos inéditos: o Gerador de Arte e Inteligência Artificial (GAIA), dedicado ao desenvolvimento de projetos colaborativos entre arte, ciência e tecnologia, e o Mosteiro das Proposições, um lugar imaginado para cultivar o tempo lento das perguntas.
O projeto estende-se ainda ao audiovisual e aos meios digitais. No dia da inauguração, às 22h00, o Canal180 estreia Está tudo bem — Conversa entre António Cerveira Pinto e Leonel Moura sobre Arte e Máquinas que Aprendem (2026), uma conversa que aprofunda algumas das questões centrais da exposição. Realizado por António Cerveira Pinto, com imagem, som e montagem de Igor Sterpin, o filme integra o programa de inauguração. Ao longo do período expositivo, o artista dará igualmente continuidade ao projeto através da conta de Instagram (@omundoetudo), onde publicará a série de reels Um minuto por dia.
Uma retrospetiva do futuro
Desde finais da década de 70, António Cerveira Pinto tem desenvolvido uma prática interdisciplinar que cruza arte conceptual, filosofia, crítica de arte e investigação tecnológica. Muito antes de a inteligência artificial ocupar o centro do debate público, o artista já interrogava as relações entre linguagem, conhecimento, máquinas e representação, construindo uma obra marcada pela experimentação permanente e pelo diálogo entre pensamento e criação artística. Como escreve Bernardo Pinto de Almeida, “o seu trabalho definiu-se e redefiniu-se vezes sem conta, ao longo dos anos”, ocupando um lugar singular na arte portuguesa por se situar continuamente “entre o propósito conceptual e o do artista de objectos”. A exposição evidencia precisamente esse percurso, onde pintura, escrita, instalação, imagem e reflexão filosófica coexistem como diferentes formas de investigação.
Paralelamente à exposição decorrerá um Programa Público, entre julho e setembro, que inclui visitas guiadas orientadas por António Cerveira Pinto, Bernardo Pinto de Almeida e Rodrigo Magalhães, o workshop AAA: Argila >> Algoritmo >> Arte, Uma genealogia da vanguarda feminina, o colóquio Artistas e máquinas às voltas com a infinitude com Bernardo Pinto de Almeida e Leonel Moura; e o lançamento do catálogo que assinalará a finissage da exposição.
“O mundo é tudo! Filósofos e outras máquinas” propõe uma reflexão sobre as transformações da cultura contemporânea num tempo marcado pela inteligência artificial e pelas máquinas que aprendem, afirmando a arte como um lugar privilegiado para pensar aquilo que permanece para lá da linguagem e da tecnologia.
De entrada livre, a exposição fica patente até ao dia 13 de setembro de 2026.
Gratuito
Programa
23.jul | 10h30
Visita guiada com António Cerveira Pinto
26.jul | 10h30
Visita guiada com Bernardo Pinto de Almeida
05.jul | 10h – 13h | 15h – 17h
Workshop AAA: ARGILA > ALGORITMO > ARTE / UMA GENEALOGIA DA VANGUARDA FEMININA
5. SET. (SÁB.) 10H–13H | 15H–17H
WORKSHOP AAA: ARGILA > ALGORITMO > ARTE / UMA GENEALOGIA DA VANGUARDA FEMININA
ORIENTAÇÃO: António Cerveira Pinto
13h—15h
Pausa para almoço-piquenique nos jardins da Fundação Gramaxo
REQUISITOS PARA PARTICIPAÇÃO: Este workshop dirige-se prioritariamente a mulheres interessadas em arte, tecnologia, escrita, investigação, educação ou cultura. Não são necessários conhecimentos prévios de inteligência artificial. O único requisito é a curiosidade. Cada participante deverá trazer um computador portátil ou smartphone com acesso à Internet, para poder participar nas sessões práticas do workshop.
PARTICIPANTES: Máximo de 15, mediante inscrição gratuita sujeita à confirmação.
A tecnologia como matéria moldável A história da inovação tecnológica também pode ser contada através das mulheres que transformaram a matéria, os símbolos, o código e o som. Da Oleira Ciumenta, evocada por Claude Lévi-Strauss, à visão pioneira de Ada Lovelace, que imaginou o computador como uma máquina capaz de criar; das mulheres que, em Bletchley Park, ajudaram a decifrar a Enigma às primeiras programadoras como Grace Hopper; das experiências sonoras de Daphne Oram e Delia Derbyshire à obra multimédia de Laurie Anderson, desenha-se uma genealogia da criatividade tecnológica frequentemente esquecida. Este workshop parte dessa tradição para explorar a inteligência artificial como instrumento de pensamento, criação e autonomia crítica. Não se trata de aprender a “usar IA”, mas de compreender como dialogar com ela, questioná-la e integrá-la num processo criativo consciente. Estrutura O Prompt — a formulação da ideia. A Escultura — edição, seleção e construção de sentido. O Diálogo — colaboração crítica entre inteligência humana e inteligência artificial.
Referências Claude Lévi-Strauss · Ada Lovelace · Joan Clarke · Grace Hopper · Daphne Oram · Delia Derbyshire · Laurie Anderson · James Essinger · Nathan Ensmenger · James Bridle.
06.set | 10h30
Visita guiada com Rodrigo Magalhães
12.set | 17h00
ARTISTAS E MÁQUINAS ÀS VOLTAS COM A INFINITUDE
Colóquio com Bernardo Pinto de Almeida e Leonel Moura
12.set | 18h00
Lançamento do catálogo