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Agostinho Albano da Silveira Pinto, um intelectual pleno
No dia 12 de outubro de 1852, falecia Agostinho Albano da Silveira Pinto na Quinta da Carvalha, lugar de Rebordãos, Águas Santas. Embora seja alguém que muitas vezes passa despercebido, Agostinho Albano esteve no centro da política e da ciência nacionais durante a primeira metade do século XIX.
Iniciou os estudos na Universidade de Coimbra em 1801, onde se formou em Filosofia e Matemática, obtendo os graus de bacharel, licenciado e doutor entre 1804 e 1806. Em 1804 começou também o curso de Medicina, que concluiu em 1814. Durante este período, desempenhou diversos cargos na Faculdade de Filosofia, como demonstrador de História Natural, Zoologia, Mineralogia e Botânica, além de funções em Química e Metalurgia.
Após regressar ao Porto, dedicou-se à medicina e ao ensino. Em 1826 foi nomeado diretor da Real Escola de Cirurgia do Porto, mas foi afastado em 1829 pelo regime miguelista, levando-o ao exílio em França, onde ingressou na Maçonaria sob o nome simbólico “Hyperion”. Regressou em 1832, após a vitória liberal, retomando funções na Escola de Cirurgia e assumindo papel central na luta contra a cólera no Porto; presidiu ainda à Comissão Sanitária e publicou estudos pioneiros sobre a doença.
Cartista moderado, foi eleito deputado pelo Minho em várias legislaturas entre 1834 e 1852, com breve interrupção. Reconhecido como médico da Real Câmara, sócio efetivo da Academia Real das Ciências de Lisboa e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, deixou ainda manuscrita uma História Financeira de Portugal, nunca publicada. Casou com Maria da Piedade Pereira, com quem teve quatro filhos, entre eles Antero Albano, também médico e político. A sua vida e obra refletem uma dedicação notável à ciência, à educação e à causa liberal, marcando profundamente o século XIX português.
Figura: Agostinho Albano da Silveira Pinto / Fonseca. - : s.n., ca 1837]. - 1 gravura: litografia, p&b; 26,4x23,2 cm