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Ambiente Maia
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Ar interior

Quando se fala em poluição atmosférica, normalmente ela é associada a emissões provenientes dos automóveis e das indústrias. 

image_previewNo entanto, vários estudos mostram que os ambientes interiores, como as habitações e os locais de trabalho, por vezes podem ter níveis de poluição superiores aos existentes no exterior. Inclusive, várias organizações nos EUA consideram a poluição do ar interior como um dos problemas de saúde ambiental mais relevantes, uma vez que pode aumentar significativamente o risco de doença.

A exposição das populações ao ar interior varia consideravelmente dependendo das condições climáticas, estilos de vida, etc. Em meios urbanos e de uma forma geral, essas exposições excedem os 90% (60% no local de residência e 30% no local de trabalho e 5% no tráfego urbano).

 

A qualidade do ar interior está relacionada com vários factores:

image_preview (1)1) As fontes de poluição (ex. artigos de limpeza, insecticidas, produtos de beleza, substâncias tóxicas libertadas no mobiliário, materiais de construção e infiltrados a partir do exterior, fumo de tabaco, agentes naturais como mofo, pólenes, bactérias, etc.). Muitas destas fontes expõem os indivíduos a elevados níveis de poeiras e de compostos orgânicos voláteis (COV).

2) As condições de ventilação (a falta de ventilação associada ao maior isolamento térmico e acústico dos novos edifícios por motivos de conforto, impede a renovação eficaz de ar). No caso do isolamento térmico implicar excesso de humidade dentro de um edifício, poderão ocorrer contaminações de fungos e bactérias. Da má manutenção e limpeza dos sistemas de ar condicionado podem também advir doenças provocadas por vírus e bactérias.

Para além da concentração de substâncias no ar, os efeitos deste tipo de poluição dependem de outros factores como seja, o tempo de exposição. Exposições prolongadas a pequenas concentrações de poluentes podem provocar danos mais graves do que no caso de exposições a grandes concentrações num curto espaço de tempo.

Quando as condições estão abaixo das desejáveis, podem surgir casos de pessoas com o chamado “Síndroma dos Edifícios Doentes”, em que é comum a manifestação de dores de cabeça, cansaço, comichões, irritação nos olhos, nariz e garganta.

Este é um problema que preocupa cada vez mais os empresários, a nível internacional, dado que para além dos efeitos na saúde dos ocupantes, há outras consequências como níveis de produtividade abaixo dos desejáveis, degradação dos equipamentos e o potenciar de relações tensas entre empregado e empregador.

Doença do Legionário é uma outra doença provocada pela má qualidade do ar no interior dos edifícios. Trata-se de uma forma de pneumonia, provocada pela bactéria do tipo Legionella, que pode ser encontrada quer nos ambientes aquáticos naturais (como lagos e rios), quer nos sistemas de abastecimento de água com condições favoráveis de estagnação, como por exemplo sistemas de água quente sanitária, ar condicionado, aparelhos de aerossóis ou fontes decorativas. A doença não se transmite, de pessoa para pessoa, pela ingestão de água contaminada, apenas se transmite por via inalatória. Os sintomas consistem em falta de ar, cansaço, febre, vómitos, diarreia, dor de cabeça e tosse. As pessoas mais sensíveis à doença são os idosos, fumadores e doentes crónicos, com baixa imunidade ou que estejam sob o efeito de medicação com corticóides ou quimioterapia.

O aparecimento do radão, um gás radioactivo, é outro problema associado com a construção de habitações e edifícios e a falta de renovação de ar no seu interior.

O Radão é um gás de origem natural, radioactivo e provém de pequenas quantidades de urânio e rádio presentes, em proporções variáveis, nos solos e nas rochas e, consequentemente, nos materiais de construção. As concentrações mais elevadas ocorrem geralmente em rochas graníticas, sendo mais baixas em rochas calcárias. É particularmente crítico nas regiões Norte e Centro do País. A libertação do radão a partir dos solos e rochas depende de alguns factores, como a permeabilidade e porosidade dos solos e rochas e parâmetros meteorológicos (pressão, humidade e temperatura). O radão tende a acumular-se através de fendas nos pavimentos ou juntas de tubagens no interior das habitações, com concentrações muito superiores à atmosfera exterior, dependendo do tipo de materiais utilizados e da ventilação da casa. O radão pode ser inalado em pequenas partículas radioactivas, provocar danos nos tecidos pulmonares e levar ao aparecimento de cancro pulmonar.

Para nos sentirmos saudáveis entre quatro paredes, devemos então contar com uma suficiente introdução de ar novo no espaço interior e um sistema de ventilação que seja distribuído por todo o edifício. Deve haver também um rigoroso controlo dos níveis de poluentes interiores e níveis adequados de temperatura e humidade relativa.

Em Portugal, foi criada a Comissão de Higiene Ambiental (CHA) da Associação Portuguesa da Indústria de Refrigeração e Ar Condicionado (APIRAC) com o intuito de promover normas de boa conduta das empresas que trabalham com análises do ambiente interior de edifícios e com a limpeza de sistemas de ar condicionado (AVAC).