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Natal e a Invenção da Tradição
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No dia 25 de dezembro, os cristãos celebram o Natal, as famílias partilham uma refeição faustosa e trocam-se os presentes que foram colocados debaixo da árvore. Acontece assim um pouco por todas as casas, mesmo naquelas em que as famílias não têm grande ligação à religião.
Acontece que o Natal não foi sempre assim e nem sempre no dia 25 de dezembro. Esta data foi definida pelo Papa Júlio I, no ano 350. Pensa-se que terá sido assim, não porque se soubesse o dia em que nasceu Jesus de Nazaré, mas porque desta forma se podia associar às festas pagãs da Saturnália, que terminavam no dia 23.
Porém, até ao século XIX, o Natal era uma celebração iminentemente religiosa. O que molda a festa à forma que tem nos dias de hoje é a “Invenção da tradição” – feliz expressão de Eric Hobsbawm – que popularizou a troca de presentes e o enfeite dos pinheiros. É nesta época que o Natal se torna numa festa para as crianças. Em Portugal, é D. Fernando II quem introduz o costume de enfeitar a árvore de Natal, algo que era tradição na Alemanha de onde é proveniente o rei consorte.
A troca de presentes também se torna comum na mesma época, remetendo para a generosidade de S. Nicolau, bispo católico do século IV. Todavia, existem mais duas possibilidades para a origem desta tradição: um costume que já acontecia na Saturnália e que contaminou o Natal; e a história dos reis magos, que levaram presentes a Jesus.
Nem tudo é claro no que diz respeito às tradições de Natal, mas é seguro dizer que o desenho que apresentamos aqui, da mão de D. Fernando II, será a primeira representação de uma árvore de Natal em Portugal.
Quando D. Maria II, D. Fernando II e os infantes Pedro e Luís visitaram a Maia, a tradição da árvore de Natal ainda estava reservada às elites, mas viria a tornar-se comum antes de o longo século XIX chegar ao fim.
Figura 1: Gravura de D. Fernando II vestido de S. Nicolau. Fundação Casa de Bragança.