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Ambiente Maia
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Sorria, está na Maia!

Monte Sta Cruz

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(Área (Ha): 10,4 área ha)

O Sítio
O Monte de Santa Cruz é um lugar bastante edificado de raiz antiga. A sua ascensão inicia-se do lado poente da encosta na Capela do Calvário até ao alto do monte pela Avenida Senhor Santa Cruz. A Capela de Santa Cruz (1693), localiza-se já do lado nascente, na meia encosta (110m), numa cota inferior à rua, sendo que se acede a esta por uma escadaria descendente a partir da rua. Está envolvida por um adro pavimentado a micro cubo de granito com alinhamentos de Plátanos e enquadrada por um espaço relvado pontuado de árvores de porte considerável (Fraxinus angustifolia, Pinus, Acácia). O lado nascente do recinto abre sobre a paisagem envolvente, sobre áreas agrícolas e florestais e sobre a malha habitacional. A Sul da capela, e adossada a ela, encontra-se uma Estação do Calvário.

O Monte de Santa Cruz constitui um local de culto e romaria popular. Durante as festas do Senhor dos Passos promove-se a Procissão do Encontro entre a Capela de Nossa Senhora do Encontro e a capela de Santa Cruz.

Património Cultural
Existem vestígios arqueológicos no local.  “Trata-se de um possível povoado de altura. Neste local foi recolhida parte de um dormente de uma mó de rebolo, depositada no Museu de História e Etnologia da Terra da Maia.”

A Capela de Santa Cruz caracteriza-se pela sua “simplicidade neoclássica misturada com elementos tardo-barrocos na fachada principal (capitéis duplos nos cunhais e remates contracurvados do frontão e sineira).” 

 “A Capela possui uma planta longitudinal composta por nave e capela-mor rectangulares, não existindo coincidência com o interior e exterior. Disposição horizontal das massas, com volumes escalonados e coberturas de duas águas. A fachada principal orientada a O. é de um só pano, com pilastras nos cunhais encimados por pináculos. Embasamento marcado não proeminente, portal de verga recta, encimado por um frontão interrompido e sobrepujado por um óculo octagonal; ladeia-o vãos rectangulares. A fachada é revestida a azulejo padronizado e rematada em empena truncada por campanário coroado por cruz latina. A fachada S. de dois panos apresenta a Capela do Calvário adossada. Ao centro do pano correspondente à nave, inscreve-se porta de verga recta sobrepujada por vão rectangular. O pano da capela-mor apresenta porta de menores dimensões e vão de iluminação rectangular. A Capela do Calvário apresenta a fachada em granito com portal de arco pleno fechado por gradeamento estruturado em duas folhas. É rematada por medalhão profusamente decorado. Na fachada N., de três panos, tem vãos de iluminação nos dois primeiros, e no terceiro porta de verga recta. A fachada E., com embasamento, é de dois panos correspondentes à capela-mor e à Capela do Calvário; No primeiro pano inscrevem-se dois vãos de iluminação sobrepostos, rectangulares de diferentes dimensões. As pilastras que delimitam o pano são rematadas por pináculos. Cruz latina no vértice. Na nave coro-alto com acesso por escadaria no sub-coro do lado da Epístola, lambril de azulejos padronizados e destituída de altares. Na capela-mor lambril de azulejos, andor com representação do Senhor dos Passos e altar-mor inscrito em capela que se encontra tratado como arco triunfal. Tecto de perfil curvo com painéis de madeira representativos da Via Sacra e colocados simetricamente.

O Calvário é composto por seis capelas, situadas em ambiente periurbano, em destaque: 1 - Capela da Oração no Horto, a primeira do calvário, próxima da igreja matriz e inscrita em plataforma de cota mais elevada, à qual se acede através de escadas a E. e S.; 2 - Capela da Prisão de Jesus, em planície, à face da estrada, tendo a O. edifícios de habitação e a E. campos agrícolas; 3 - Capela da Flagelação de Jesus, em destaque no sopé do Monte de Santa Cruz em elevação relativamente à cota da rua; 4 - Capela da Coroação de Espinhos, em outeiro, assente em soco, adossada a N. por muro. 5 - Capela da Condenação de Jesus, situada na plataforma mais elevada do Monte de Santa Cruz, isolada em destaque; 6 - Capela da Crucificação, sexta e última das capelas do Calvário, adossada à fachada S. da Capela do Senhor de Santa Cruz.

As capelas apresentam a mesma estrutura: planta quadrada, com coincidência entre o interior e o exterior, massa simples, cobertura de três águas rebocadas. Fachadas principais em granito aparente, com vão em arco de volta perfeita formando frontão interrompido por cartela com elementos decorativos; ladeiam-no dois plintos quadrangulares, encimados por elemento terminal em fogaréu (Capela de Oração no Horto) ou pinha (Capelas da Prisão de Jesus, da flagelação, da coroação e condenação).

Porta de duas folhas, em ferro chapeado com vãos de iluminação gradeados. As restantes fachadas são de um só pano, rebocadas e com cornija em granito aparente. Os interiores das capelas são abobadados. A Capela da Oração no Horto apresenta escadaria de acesso a S. de forma circular, e rectangular a de E.. No muro que flanqueia a fachada principal inscrevem-se duas pilastras rematadas por fogaréus. Na cartela insere-se um cálice de alto relevo, sobrepujado por uma concha e ornamento de motivos vegetais. Interior integralmente preenchido por supedâneo sobre o qual assentam três imagens de barro figurando Cristo orando e dois Apóstolos dormindo. Na Capela da Prisão de Jesus, orientada a N., a cartela é sobrepujada por uma concha, inserida em acrotério. Interior integralmente preenchido por supedâneo sobre o qual assentam três imagens de barro figurando Jesus preso, um centurião romano e Judas representado com a bolsa das trinta moedas. A Capela da flagelação, orientada a N., possui a cartela sobrepujada por uma concha, inserida em acrotério. No interior, assentam sobre supedâneo cinco imagens de barro figurando Jesus flagelado e quatro centuriões romanos. A Capela da Coroação de Espinhos, orientada a O., possui cartela sobrepujado por uma concha, inserida em acrotério. Interior integralmente preenchido por supedâneo sobre o qual assentam quatro figuras em barro figurando Jesus coroado de espinhos, em escultura de pequenas dimensões e três centuriões romanos de grandes dimensões. A Capela da Condenação de Jesus, orientada a E., possui igualmente cartela sobrepujada por uma concha, inserida em acrotério. Interior integralmente preenchido por supedâneo sobre o qual assentam duas figuras de barro figurando Jesus e Pilatos. A Capela da Crucificação é diferente, tendo planta rectangular, adossada a N. à capela do Senhor de Santa Cruz. Fachada orientada a S., composta em portal de arco pleno fechado por gradeamento de duas folhas. Remate e em cartela profusamente decorada. Interior com imagem de barro figurando Cristo Crucificado, São João e a Virgem.” 

 “Duas semanas antes da Páscoa, celebra-se o Senhor dos Passos, com a procissão a sair da Igreja Matriz em direcção ao cimo do Monte. No percurso, atravessa as diversas capelinhas dos passos do século XVIII, que vão conduzindo os fiéis pela encosta acima. Durante a caminhada, dá-se o encontro entre o Senhor dos Passos e a Nossa Senhora do Encontro, na capelinha do encontro, juntando-se as duas imagens em direcção à capela do Senhor de Santa Cruz, que já contabiliza três séculos. A outra festividade, o Senhor de Santa Cruz, ocorre na segunda semana de Setembro. A procissão sai da capela com o mesmo nome, desce a encosta e inverte o seu percurso no largo do Gestalinho, voltando à capela de Santa Cruz. Esta romaria estende-se ao longo de quatro dias, com animação. O Senhor dos Passos veste-se de roxo, enquanto o Senhor da Santa Cruz, de vermelho. Ambos recolhem as "arrecuas" no fim da procissão. Diz a lenda que, se assim não for, os povos da freguesia vizinha de Vermoim podem vir 'roubá-lo'. Esta tradição tem origem no tempo em que Barca ainda não era freguesia e pertencia a Vermoim.” 

Património Natural
Árvores de grande porte: carvalhos, plátanos e acer.

Acessibilidade
Av. do Senhor de Santa Cruz.

Funções
Local de culto e de romaria e espaço de lazer e miradouro.

Equipamentos
Bar S.C. Sr. Santa Cruz, Escola EB1/JI de Santa Cruz e Lions Club

Monografia
ALMEIDA, C. A. F. (1969), A romanização das Terras da Maia, Maia.
AZEVEDO, Agostinho de, A Terra da Maia, vol. 1 Porto, 1939; GENS, Manuel, Antologia, Usos e Costumes do Douro Litoral, Maia, 1997
AZEVEDO, A. A. (1939), A Terra da Maia, Porto